De um lado pro outro, de dentro pra fora, as pessoas se movimentavam como sempre fazem. Duas travestis que passavam por mim, cochicharam algo. Sei que é sobre mim. A que tinha cabelos loiros quase brancos olhou para trás em minha direção e continuou andando. Confirmação de que era sobre mim que falavam.
Olhei pra frente, o senhor já havia ido. Por onde, ninguém sabe. Pra onde, tampouco. Mas se foi.
Comecei a perceber os seguranças e funcionários da estação à minha volta. Um no portão de saída, outro em frente à catraca. Dois na bilheteria e um perto da escada rolante. Eles deviam ter certeza de que eu estava levando um lindo bolo. O que será que pensavam, além disso? Reparei olhares sobre mim. Senti-me um pouco constrangido. Mal sabiam que quem eu esperava não chegaria jamais.
Olhares, sons, trens que passavam fazendo estrondos e eu ali. Olhava para o relógio, os ponteiros mal se movimentavam. Mas comecei a achar que era hora de ir. Encarar a realidade e seguir em frente. Afinal, todos já me aguardavam à mesa grande do restaurante. Todos sorridentes, extrovertidos, com grana. Conversaríamos sobre teatro, sobre música, sobre viagens. E eu, perdia meu tempo – que não passou – esperando quem não viria mais.
P.P.
P.P.
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