quarta-feira, 28 de setembro de 2011

As coisas são assim

Um rapaz de cabelos castanhos, topete meio franja e pele branquíssima chorou, pediu, quase implorou.
Um outro, cabelos cacheados e macios, desprezou.
O de topete sabia que tudo mudaria, e tentou até o último instante, pois sabia o quão forte era o que sentia. E apostou nisso. Lutou, sentiu, perdeu.
O dos cachos quis proteger-se, proteger também o de topete. Mas acabou estragando as coisas quando quis diminuir. Diminuir o que sente, diminuir o que recebe, diminuir o que existe.
O de topete ainda assim sabia que tudo mudaria, quando então resolveu tocar a vida adiante, pensando "Se o dos cachos me quisesse, estaria comigo. Se não me quer, não tenho mais o que fazer. É uma pena. Mas vou viver a minha vida".
E tudo mudou.
Pouco tempo depois, o dos cachos o procurava. Mas, ainda infelizmente não pra dizer o quanto o amava. Isso parecia bem difícil pra ele. Mas dizia coisas sem sentido. Coisas que o de topete preferia nem ter ouvido. 
Chateados, afastados, intrigados, entrelaçados.
O de topete e o dos cachos poderiam ter uma longa história pela frente, se não fosse o orgulho do rapaz de cachos.

Mas ter uma história não significa estarem juntos.
Juntos ou não, a história continua. E ela sempre muda.

P.P.

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