E foi assim, criamos um amor que a realidade terminou.
Mas não fiquemos assim, assim, deste jeito tolo e cabisbaixo. Deste jeito, como se nada mudasse.
Se foi amor, quem sabe só se transformou.
P.P.
O Pequeno Peter, eu, eu e Pequeno Peter. Metade eu, metade ele, metade nós três. Coisas minhas, coisas dele, coisas nossas. Tudo verdade, criadas ou reais. Ou minha, ou dele.
segunda-feira, 28 de novembro de 2011
domingo, 27 de novembro de 2011
Novo velho
E então, hoje o passado vem visitar o presente, confundindo o futuro e o agora.
O que era esquecido - ou quase - surge como se nunca tivesse deixado de existir.
Um feixe de luz atravessa o buraco da fechadura do ontem, bate no espelho do hoje e reflete direto em direção à janela do amanhã. E persegue, consome.
Eu, você, parados diante da porta de ferro. Encosto-me, e você vem com sua mão na minha, trazendo também o velho tato, enquanto me forço a não lembrar de sentido algum. Você dificulta, e se diverte com isso.
- Que estranho. - digo, depois de alguns minutos em total silêncio.
- O que?
- Isso tudo, essa situação, esse lugar, essas pessoas. Me sinto como se estivesse olhando tudo de fora de mim. Eu e você aqui, nessa situação, só é estranho.
- Que situação? - faz-se desentendido.
- Você entendeu. - finalizo, causando mais alguns minutos de silêncio.
E depois de uma tarde num bar, você, cerveja, eu, coca-cola, sentimo-nos assim, estranhos. Estranhos como se nunca tivéssemos tido intimidade antes. Como se nunca tivesse me dito tudo o que pensa, tudo o que sente, e como se eu não conhecesse e soubesse exatamente quem você é - quer queira, quer não.
Me apresso a dizer que vou-me. Não vai... Pede-me para ficar, deixando de lado todo seu orgulho. Mas prefiro dizer que vou mesmo assim, sabendo o quão perigoso é ficar ao seu lado agora. No mais fundo, sei, sabemos que não vale mergulhar nas dores, amores e na cor sépia em busca de um novo velho. O velho, só pode se tornar mais velho.
Nos dirigimos ao metrô que vou pegar, mais alguns minutos de silêncio até que eu consiga encarar as catracas e ir-me. Você, respeita meu silêncio, mas insiste mais um pouco. Usa de suas últimas tentativas, mesmo que falhas.
- Então tá. Boa noite. - digo, sem saber mais o que dizer, mas ainda sim sem coragem de ultrapassar as catracas e deixar-te mais uma vez.
- Boa noite pra você também. - responde, cabisbaixo.
Sem muito olho no olho, sem coragem de ficar, ou de ir, apenas viro-me, passo pela catraca e sigo meu caminho, descendo as escadas sem ao menos olhar para trás.
P.P.
O que era esquecido - ou quase - surge como se nunca tivesse deixado de existir.
Um feixe de luz atravessa o buraco da fechadura do ontem, bate no espelho do hoje e reflete direto em direção à janela do amanhã. E persegue, consome.
Eu, você, parados diante da porta de ferro. Encosto-me, e você vem com sua mão na minha, trazendo também o velho tato, enquanto me forço a não lembrar de sentido algum. Você dificulta, e se diverte com isso.
- Que estranho. - digo, depois de alguns minutos em total silêncio.
- O que?
- Isso tudo, essa situação, esse lugar, essas pessoas. Me sinto como se estivesse olhando tudo de fora de mim. Eu e você aqui, nessa situação, só é estranho.
- Que situação? - faz-se desentendido.
- Você entendeu. - finalizo, causando mais alguns minutos de silêncio.
E depois de uma tarde num bar, você, cerveja, eu, coca-cola, sentimo-nos assim, estranhos. Estranhos como se nunca tivéssemos tido intimidade antes. Como se nunca tivesse me dito tudo o que pensa, tudo o que sente, e como se eu não conhecesse e soubesse exatamente quem você é - quer queira, quer não.
Me apresso a dizer que vou-me. Não vai... Pede-me para ficar, deixando de lado todo seu orgulho. Mas prefiro dizer que vou mesmo assim, sabendo o quão perigoso é ficar ao seu lado agora. No mais fundo, sei, sabemos que não vale mergulhar nas dores, amores e na cor sépia em busca de um novo velho. O velho, só pode se tornar mais velho.
Nos dirigimos ao metrô que vou pegar, mais alguns minutos de silêncio até que eu consiga encarar as catracas e ir-me. Você, respeita meu silêncio, mas insiste mais um pouco. Usa de suas últimas tentativas, mesmo que falhas.
- Então tá. Boa noite. - digo, sem saber mais o que dizer, mas ainda sim sem coragem de ultrapassar as catracas e deixar-te mais uma vez.
- Boa noite pra você também. - responde, cabisbaixo.
Sem muito olho no olho, sem coragem de ficar, ou de ir, apenas viro-me, passo pela catraca e sigo meu caminho, descendo as escadas sem ao menos olhar para trás.
P.P.
quarta-feira, 16 de novembro de 2011
Insanamente
Há pessoas me dizendo insano. Só porque eu faço o que quero, quando quero. Só porque não deixo nada pra amanhã. Só porque expresso tudo o que penso e o que sinto, sem me preocupar com o que vão achar de mim. Isso não é insanidade, não pra mim. Eu chamo de verdade. Intensidade, talvez.
Então, você chega. Chega me dizendo completamente insano, sem calma. Digo que só quero viver, nada mais. Você se afasta. Digo que não tenha medo, pois minha tal "insanidade" espanta alguns, eu sei. Mas os que ficam, valem muito mais à pena.
P.P.
Então, você chega. Chega me dizendo completamente insano, sem calma. Digo que só quero viver, nada mais. Você se afasta. Digo que não tenha medo, pois minha tal "insanidade" espanta alguns, eu sei. Mas os que ficam, valem muito mais à pena.
P.P.
terça-feira, 15 de novembro de 2011
Antes, um dia esperado o ano inteiro. Frio na barriga, desejos, uma semana antes cheia de pensamentos sobre o que lucraria, o que ganharia, quem viria, quem não viria, o que comeria, beberia, dançaria. Uma verdadeira festa.
Hoje, a maturidade bate na minha porta. Não. Ela já entrou, sem pedir permissão, sem avisar, sem nem ligar antes pra saber se eu estava afim. Simplesmente destruiu a porta da infância, deixando pra trás a felicidade infantil e a liberdade de poder dizer sou criança, me deixa; sou adolescente, me deixa. Agora não há mais desculpas. Não há cerimônia, não. É fazer. É colher. É tirar de toda oportunidade algo que realmente influencie no resto da vida. Não dá mais pra brincar de pega-pega por aí. Já bati cara, contei até vinte, e agora é a hora de procurar o que preciso nesse esconde-esconde.
P.P.
Hoje, a maturidade bate na minha porta. Não. Ela já entrou, sem pedir permissão, sem avisar, sem nem ligar antes pra saber se eu estava afim. Simplesmente destruiu a porta da infância, deixando pra trás a felicidade infantil e a liberdade de poder dizer sou criança, me deixa; sou adolescente, me deixa. Agora não há mais desculpas. Não há cerimônia, não. É fazer. É colher. É tirar de toda oportunidade algo que realmente influencie no resto da vida. Não dá mais pra brincar de pega-pega por aí. Já bati cara, contei até vinte, e agora é a hora de procurar o que preciso nesse esconde-esconde.
P.P.
sábado, 12 de novembro de 2011
Salgado
Uma manhã agradável, essa. Sem acordar em casa, geralmente vem uma depressão estranha. Voltar pra casa de manhã me trás uma sensação flutuante, ruim, de ter passado a noite fora do meu mundo. Mas não hoje. Nessa manhã sinto-me satisfeito. Com uma sensação de missão cumprida. Mesmo que eu não saiba exatamente qual é a tal missão. Sinto como se pudesse fazer qualquer coisa. E posso. Mas não só isso, sinto que qualquer coisa que eu tente fazer, qualquer coisa seja fácil como algo que eu já tenha feito. Mesmo que eu não o tenha.
Não podendo me reduzir a ficar em casa, abro o portão barulhento da nova casa, saio pela calçada, feliz, mas jamais saltitante. A felicidade é traiçoeira, devemos tratá-la disfarçadamente. Olho pro céu, cinza. Melhor céu não há. Não tem o Sol - não que não goste dele, mas, hoje não, obrigado - não há azul - que mesmo sendo minha cor preferida, ela não se encaixa no céu, não agora - permanece o cinza, que hoje é um cinza alegre.
Continuo andando, andando, andando. Andar me faz bem, principalmente quando não há o sol torrando meus miolos e fazendo escorrer em meu pescoço aquela gota de suor salgado. Na rua, poucos carros. Perto de feriado, perto de aniversário, quem ficaria em casa? Com esse tempo cinza, esse não sol, essa falta de cores, o povo gosta é de praia, o salgado do mar, o salgado do suor - o que me faz pensar que nem todo doce é o que é bom pra eles - , o azul do mar - nem tão azul - e do céu e o sol, sendo seu, latejando suas mentes vazias.
Eu? Ah, eu fico aqui, com meu cinza, meu andar, meus pensamentos, que por mais que possam parecer às vezes tristes, são só verdade.
P.P.
Não podendo me reduzir a ficar em casa, abro o portão barulhento da nova casa, saio pela calçada, feliz, mas jamais saltitante. A felicidade é traiçoeira, devemos tratá-la disfarçadamente. Olho pro céu, cinza. Melhor céu não há. Não tem o Sol - não que não goste dele, mas, hoje não, obrigado - não há azul - que mesmo sendo minha cor preferida, ela não se encaixa no céu, não agora - permanece o cinza, que hoje é um cinza alegre.
Continuo andando, andando, andando. Andar me faz bem, principalmente quando não há o sol torrando meus miolos e fazendo escorrer em meu pescoço aquela gota de suor salgado. Na rua, poucos carros. Perto de feriado, perto de aniversário, quem ficaria em casa? Com esse tempo cinza, esse não sol, essa falta de cores, o povo gosta é de praia, o salgado do mar, o salgado do suor - o que me faz pensar que nem todo doce é o que é bom pra eles - , o azul do mar - nem tão azul - e do céu e o sol, sendo seu, latejando suas mentes vazias.
Eu? Ah, eu fico aqui, com meu cinza, meu andar, meus pensamentos, que por mais que possam parecer às vezes tristes, são só verdade.
P.P.
terça-feira, 8 de novembro de 2011
Este poder
Hoje descobri. Hoje tirei a prova de que precisava. Não, não precisava, já tinha certeza, mas um pinguinho da gente sempre desconfia de algo. Mas hoje não, não desconfio mais.
Queria muito uma coisa. Muito mesmo. E, não é a primeira vez que consigo o que quero quase que misteriosamente. Magicamente.
E essa coisa que eu quis, tornou-se real hoje. Com a força de... De quê exatamente? Bom, eu sei.
Ao dormir, pensei, acreditei, vivenciei. Ao acordar, vivi. E vivi algo ainda melhor do que havia vivenciado, pois foi o que pedi.
Hoje, amanhã, não desconfio mais deste poder. Poder meu, poder nosso, único e de todos, mas que infelizmente - ou não - só alguns sabem que possuem.
P.P.
Queria muito uma coisa. Muito mesmo. E, não é a primeira vez que consigo o que quero quase que misteriosamente. Magicamente.
E essa coisa que eu quis, tornou-se real hoje. Com a força de... De quê exatamente? Bom, eu sei.
Ao dormir, pensei, acreditei, vivenciei. Ao acordar, vivi. E vivi algo ainda melhor do que havia vivenciado, pois foi o que pedi.
Hoje, amanhã, não desconfio mais deste poder. Poder meu, poder nosso, único e de todos, mas que infelizmente - ou não - só alguns sabem que possuem.
P.P.
domingo, 6 de novembro de 2011
Again
Vejo agora minha vida recomeçar
Sinto que toda ferida vai sarar
E agora o que o tempo vai trazer
é mistério, ninguém sabe dizer
Só sei que sei o que não quero
E isso já uma parte do caminho
Andando, correndo, voando
Só sigo, rumo ao meu destino.
P.P.
Sinto que toda ferida vai sarar
E agora o que o tempo vai trazer
é mistério, ninguém sabe dizer
Só sei que sei o que não quero
E isso já uma parte do caminho
Andando, correndo, voando
Só sigo, rumo ao meu destino.
P.P.
Uma ansiedade inexplicável e imensurável me consome. Não sei ao certo o motivo, ou não existe causa? Ou existem muitas, mas não consigo saber qual é a principal. Se é que existe a principal, se não a união de todas as causas. A espera de respostas. A vida é cheia delas. Algo toca dentro de mim, uma cócega, uma dor, uma esperança. Esperança de que tudo vai dar certo, a ansiedade se tornará realidade. Boa ou ruim. Para, depois de algumas horas, tornar-se nova ansiedade.
P.P.
P.P.
sexta-feira, 4 de novembro de 2011
Carol
Era noite, esperava um ônibus que me levasse ao encontro com minha amiga. Olhei para os lados, precisava de um comércio aberto que me trocasse a nota de cinqüenta que tinha no bolso. Se entregasse aquela nota ao cobrador, com certeza ele me faria aquela cara de desprezo que eu detesto, olharia pra minha nota, e sem dizer nenhuma palavra, negaria meu dinheiro, faria um gesto pra que eu esperasse pra ver se durante a viagem o troco surgiria. Ou talvez até me perguntasse Vai descer onde? e depois da minha resposta, seria tudo igual.
Mas havia um açougue aberto. Sim, um açougue. Corri até o caixa, olhando para trás pra ver se não vinha meu ônibus. Perguntei à moça do caixa se ela trocaria meu dinheiro. Disse pra esperar passar a última compra e que achava que tinha troco. E, ao olhar a tal última compra, uma mulher trazia uma cesta com alguns 15 tipos de carnes. Não entendo nada do assunto, só pensava por que alguém compraria tanta carne? Teria um açougue também? Não tinha cara de açougueira, estava mais pra mãe. Muitos filhos? Impossível. Talvez animais carnívoros em casa. Precisaria de uns cinco tiranossauros pra comer tudo aquilo.
Olhava pro ponto, e de volta aos muitos sacos de carnes e de volta ao ponto de ônibus. A moça do caixa olhava pra mim com cara de quem não esperava tanta carne. Sem graça. E vi meu ônibus chegando. Parado no farol, antes do ponto. Se eu não pegasse esse, chegaria atrasado ao encontro com minha amiga. É desses ônibus que passam de meia em meia hora quando estão de bom humor. Até que acabou a compra da mãe dos dinossauros.
[Continua...]
quinta-feira, 3 de novembro de 2011
Novembro
Sinto calma. Calma que não vem de ninguém, nem por nada.
Café com leite, frio, edredon, Marisa Monte, eu.
Café com leite, frio, edredon, Marisa Monte, eu.
O trem já começou a trilhar em mais um dia. Ouço daqui. Chega, abre a porta, pessoas entram, pessoas saem, toca-se "pipipipipi", a porta se fecha e ele segue pra próxima estação.
Talvez - porque novembro nunca é feito de certezas, a não ser a certeza de que ficarei mais velho - eu possa dizer que estou curado.
Não que não sinta. Sinto, mas de um jeito diferente. Maduro? É, pode ser.
P.P.
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