sexta-feira, 4 de novembro de 2011

Carol

Era noite, esperava um ônibus que me levasse ao encontro com minha amiga. Olhei para os lados, precisava de um comércio aberto que me trocasse a nota de cinqüenta que tinha no bolso. Se entregasse aquela nota ao cobrador, com certeza ele me faria aquela cara de desprezo que eu detesto, olharia pra minha nota, e sem dizer nenhuma palavra, negaria meu dinheiro, faria um gesto pra que eu esperasse pra ver se durante a viagem o troco surgiria. Ou talvez até me perguntasse Vai descer onde?  e depois da minha resposta, seria tudo igual.
Mas havia um açougue aberto. Sim, um açougue. Corri até o caixa, olhando para trás pra ver se não vinha meu ônibus. Perguntei à moça do caixa se ela trocaria meu dinheiro. Disse pra esperar passar a última compra e que achava que tinha troco. E, ao olhar a tal última compra, uma mulher trazia uma cesta com alguns 15 tipos de carnes. Não entendo nada do assunto, só pensava por que alguém compraria tanta carne? Teria um açougue também? Não tinha cara de açougueira, estava mais pra mãe. Muitos filhos? Impossível. Talvez animais carnívoros em casa. Precisaria de uns cinco tiranossauros pra comer tudo aquilo.
Olhava pro ponto, e de volta aos muitos sacos de carnes e de volta ao ponto de ônibus. A moça do caixa olhava pra mim com cara de quem não esperava tanta carne. Sem graça. E vi meu ônibus chegando. Parado no farol, antes do ponto. Se eu não pegasse esse, chegaria atrasado ao encontro com minha amiga. É desses ônibus que passam de meia em meia hora quando estão de bom humor. Até que acabou a compra da mãe dos dinossauros.

[Continua...]

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